A Opep+ concordou, em princípio, em elevar as metas de produção para junho: sete países — Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã — alinharam-se para um aumento conjunto de cerca de 188 mil barris por dia. A decisão foi tomada mesmo após a saída recente dos Emirados Árabes Unidos do grupo.

No terreno, contudo, o avanço será em grande parte simbólico. O conflito entre EUA e Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz reduziram exportações de membros do Golfo que historicamente poderiam ampliar rapidamente a oferta. Além disso, as próprias vendas do Irã foram afetadas por um bloqueio imposto pelos EUA em abril.

Com o transporte marítimo restrito, executivos do setor e comerciantes alertam que levará semanas, se não meses, até que os fluxos se normalizem. O choque já pressionou os preços a uma máxima de quatro anos, acima de US$ 125 por barril, e analistas começam a prever risco de escassez de combustível de aviação em um a dois meses, com impacto sobre custos de transporte e inflação.

O movimento mostra que a Opep+ busca preservar a rotina de decisões e sinalizar disponibilidade para aumentar a oferta quando houver condições, mas a leitura é clara para governos e mercados: sem solução geopolítica, a medida não alivia a pressão de preços. A produção média do grupo foi de 35,06 milhões bpd em março, queda de 7,70 milhões em relação a fevereiro, evidenciando que a normalização da oferta não será imediata e acende alerta para pressões inflacionárias e nos preços dos combustíveis.