A OPEP revisou para baixo sua projeção de demanda mundial de petróleo para o segundo trimestre, cortando 500 mil barris por dia e estimando 105,07 milhões de barris/dia, contra 105,57 milhões no relatório anterior. Foi a primeira avaliação pública do impacto imediato da guerra com o Irã no mercado, ao mesmo tempo em que o cartel manteve a previsão de crescimento anual.
O grupo atribuiu a revisão a uma “leve fraqueza transitória” do consumo, tanto nos países da OCDE quanto fora dela, em função dos acontecimentos no Oriente Médio. A guerra fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, principal rota petrolífera mundial, interrompendo milhões de barris e provocando avanço dos preços, o que pressiona famílias e empresas e leva governos a medidas para conservar estoques.
O relatório destaca ainda a queda abrupta da produção da aliança OPEP+: média de 35,06 milhões de barris/dia em março, uma retração de 7,70 milhões em relação a fevereiro, com Iraque e Arábia Saudita entre os maiores cortes. Apesar de o grupo ter aprovado em 5 de abril aumento modesto de cotas — 206 mil b/d para maio — o relatório observa que esse incremento será, em grande parte, apenas no papel enquanto o bloqueio no Estreito persistir.
Há dissenso entre instituições: a OPEP manteve a projeção de alta de 1,38 milhão de barris/dia para 2026, enquanto a Administração de Informação Energética (EIA) dos EUA já havia reduzido pela metade sua estimativa. A diferença expõe incerteza sobre o ritmo de recuperação e complica o planejamento de produtores, refinarias e formuladores de política econômica.
Do ponto de vista econômico e fiscal, o choque acende alerta: alta de combustíveis tende a ampliar inflação e a elevar custos públicos caso governos optem por subsídios ou liberações de estoques. Politicamente, o efeito sobre preços e oferta de energia pode complicar a narrativa oficial de estabilidade e exigir respostas rápidas do setor público, enquanto o mercado espera sinais claros sobre a reabertura do Estreito e a capacidade efetiva de retomada da produção.