O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a liquidação do BRB geraria um rombo de R$ 17 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A declaração, dada ao Valor Econômico e confirmada à CNN Money, ganha relevo no dia em que União e Governo do Distrito Federal fecharam um acordo para viabilizar uma operação de crédito destinada a socorrer o banco em crise de liquidez após a tentativa frustrada de compra do Banco Master.
A proposta prevê um empréstimo ao governo do DF de até R$ 6,5 bilhões — equivalente a 16% da receita corrente líquida do Distrito Federal — levantado com recursos do FGC, garantido por um sindicato de bancos públicos e privados e com contragarantias do FPE e do FPM. O Distrito Federal, que está no Programa de Ajuste Fiscal da Secretaria do Tesouro Nacional, teve o limite para operações ampliado: o teto natural seria de 3% da RCL (cerca de R$ 961 milhões). O contrato prevê prazo de 15 anos e dois anos de carência, e os bancos S1 serão responsáveis pelas garantias; segundo o termo, não haverá transferência de recursos federais nem garantia da União.
O diagnóstico do ministério — que aponta um déficit de R$ 17 bilhões no cenário de liquidação — desenha uma consequência clara: o custo seria suportado pelos associados do FGC, isto é, pelas próprias instituições financeiras. Além do impacto direto no fundo, o movimento tende a suscitar debates sobre moral hazard e precedentes para socorros futuros. Utilizar recursos do FGC em operação dessa envergadura sinaliza para o mercado um risco sistêmico que exige transparência, limites claros e avaliação dos estímulos a práticas de risco no setor bancário.
Politicamente, a solução evita a liquidação imediata do banco e seus efeitos colaterais sobre clientes e fornecedores, mas também acende um alerta para a gestão fiscal do Distrito Federal e para a coordenação entre União, STN e autoridades financeiras. A operação expõe o dilema entre preservar a estabilidade financeira e proteger mecanismos como o FGC — cuja solidez é vital para a confiança no sistema — e reforça a necessidade de soluções que minimizem custo para o setor público e privado sem transferir encargos indevidos ao mercado.