A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a Operação Disclosure, desdobramento de investigações sobre irregularidades contábeis nas Lojas Americanas. Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, e houve pedido de bloqueio de aproximadamente R$ 54 bilhões, com ordens expedidas pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Entre os alvos estão empresários do grupo de controle, incluindo Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann.
O caso remonta a 11 de janeiro de 2023, quando a companhia informou inconsistências inicialmente estimadas em R$ 20 bilhões e, depois de revisão, anunciou dívida superior a R$ 40 bilhões. A crise levou a pedido de recuperação judicial aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Delações, prestação de informações à procuradoria e a investigação continuaram desde então, com a empresa voltando a divulgar balanço apenas em novembro de 2023.
Em dezembro de 2023 a assembleia de credores aprovou um plano que previa injeção de R$ 12 bilhões pelos acionistas de referência e conversão de outros R$ 12 bilhões em ações. Nos últimos anos a companhia reportou melhora operacional e, em março, protocolou pedido para sair antecipadamente do regime de recuperação judicial — um movimento que agora pode ficar vulnerável caso a investigação confirme responsabilidade de dirigentes ou controladores.
A repercussão é econômica e institucional: o pedido de bloqueio e as buscas reacendem dúvidas sobre governança, aumentam incerteza para investidores e credores e podem atrasar medidas previstas no plano de reestruturação. Em nota, a Americanas afirmou não ter sido alvo de busca e apreensão e disse que seguirá colaborando com as investigações, reafirmando interesse no esclarecimento dos fatos. O desfecho da operação será determinante para a credibilidade da empresa e para a confiança do mercado.