As ações da Oracle sofreram queda significativa no pregão após a empresa elevar a projeção de despesas de capital para até US$ 95 bilhões no ano fiscal de 2027 e anunciar a intenção de levantar quase US$ 40 bilhões por meio de dívida e emissão de ações. No pré-mercado, os papéis caíram cerca de 7,2%, chegando a US$ 186,70, movimento que poderia reduzir dezenas de bilhões da avaliação de mercado caso se mantivesse.
O aumento do capex — após a companhia já ter gasto US$ 55,66 bilhões no ano fiscal de 2026, acima da meta anterior de US$ 50 bilhões — acendeu dúvidas sobre o custo de expansão dos data centers de inteligência artificial e sobre a capacidade da Oracle de financiar esse ciclo sem deteriorar ainda mais seus fluxos de caixa. Analistas e gestores observam que, diferentemente das chamadas hiperescaladoras, a Oracle não tem a mesma folga de caixa, o que a torna mais dependente dos mercados para financiar investimentos.
Houve reação também no setor europeu de tecnologia: listado entre os fatos, ações como SAP e Capgemini registraram quedas, num contexto já sensível após rebaixamento de um gestor global de riqueza. O J.P. Morgan avaliou que o esforço pode ser necessário para sustentar um crescimento de receita mais robusto no longo prazo, mas ressaltou riscos de execução relacionados à expansão de data centers, à manutenção de reservas e ao aumento da alavancagem. O Morgan Stanley projeta que a emissão global de dívida ligada à IA deva crescer substancialmente até 2026.
A combinação entre capex elevado e plano de captação traz impactos concretos: maior custo de capital, pressão sobre avaliações e necessidade de resultados operacionais mais rápidos para justificar o investimento. Para investidores e para a própria Oracle, o desafio é demonstrar que o negócio de nuvem crescerá em ritmo superior ao das hiperescaladoras, caso contrário o aumento da dívida pode penalizar a companhia e o setor no curto e médio prazos.