O Irã voltou a declarar o Estreito de Ormuz fechado, mas o efeito prático já vinha sendo sentido antes do comunicado formal: dados da Kpler mostram que, no dia 18, apenas 25 navios cruzaram a passagem — um número ainda muito aquém dos 100 a 120 petroleiros que transitavam diariamente antes do conflito. Na sexta-feira (19) o fluxo caiu para dígito único. Desde o início dos confrontos, cerca de 500 embarcações, entre elas 220 petroleiros, permanecem retidas no Golfo Pérsico.
Analistas consultados pela imprensa apontam que a normalização não será imediata. A presença de minas na parte central do Estreito e o risco de incidentes em corredores costeiros tornam a travessia volátil, segundo avaliação de organizações do setor. Há ainda o fator humano: cerca de 20 mil tripulantes seguem a bordo, muitos sem perspectiva clara de partida.
Além do risco físico, há um bloqueio comercial: seguradoras suspenderam amplamente a cobertura por risco de guerra, o que equivale a elevar a tarifa efetiva do transporte ou até impedir viagens. Há também entraves logísticos — navios ancorados por meses enfrentam problemas de navegabilidade, falta de suprimentos e necessidade de manutenção antes de retornar à rota — e a Kpler estima que serão necessárias semanas só para liberar os petroleiros carregados no Golfo.
O conjunto de fatores tem implicações econômicas concretas: pressão sobre os preços do petróleo, aumento da volatilidade e elevação dos custos de frete e seguro. Para governos e empresas, o desafio é mitigar impactos na cadeia de abastecimento e na inflação sem medidas precipitadas. A retomada dos fluxos dependerá de redução clara dos riscos à navegação e da recomposição da oferta de seguros — processos que, nas avaliações técnicas, devem levar meses, não dias.