O diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, Kevin Hassett, disse neste domingo que, embora consumidores e empresas enfrentem custos mais altos no curto prazo devido à guerra no Oriente Médio, a reabertura do Estreito de Ormuz deverá liberar "muito petróleo" e derrubar preços de forma relativamente rápida — possivelmente dentro de um a dois meses e antes das eleições legislativas. A declaração busca colocar um horizonte temporário para o alívio, mas levanta perguntas sobre realismo e impactos políticos.

Os números que sustentam a preocupação são claros: a via de navegação responde por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e, desde o início do conflito no fim de fevereiro, o barril Brent saltou para cerca de US$ 100, ante US$ 73,21 antes das hostilidades. O Goldman Sachs projeta que o Brent deve permanecer acima de US$ 90 pelo menos até o fim do ano. Nos Estados Unidos, a interrupção já elevou o preço médio da gasolina para US$ 4,52 por galão, segundo a Associação Automobilística Americana, pressionando inflação e consumo.

Há, contudo, uma distância entre a retórica de alívio e as limitações operacionais. Autoridades e empresas do setor lembram que a retomada da produção pode demandar semanas, e que danos a instalações de energia e petróleo podem levar anos para serem reparados. Nesse ponto, a previsão otimista de queda rápida nos preços esbarra em fatores logísticos e técnicos que não se resolvem apenas com a livre passagem de navios. Politicamente, a narrativa do governo — apresentada como "sacrifício de curto prazo para ganho de longo prazo" — tenta mitigar o desgaste, mas pode não convencer consumidores já afetados pela perda de confiança.

Para mercados e formuladores de política, o cenário impõe desafios concretos: volatilidade prolongada do petróleo aumenta a probabilidade de pressão inflacionária persistente, complica projeções fiscais e exige respostas de curto prazo em reservas estratégicas e administração de subsídios. A incerteza sobre tempo e capacidade de recomposição da oferta também reforça a necessidade de cautela antes de apostar numa queda rápida dos preços — um componente que pode custar caro no plano político se o alívio demorar mais que o previsto.