A aparente trégua no Golfo provou ser momentânea. O retorno das tensões no Estreito de Ormuz levou os contratos futuros do Brent acima de US$ 95 por barril, com alta superior a 5% em uma sessão, e recolocou o chamado prêmio de risco no centro da precificação do petróleo.
O gatilho foi político-militar: declarações do presidente dos Estados Unidos indicaram que a Marinha disparou contra e apreendeu um navio de bandeira iraniana no Golfo de Omã após suposto descumprimento de ordens. Em reação, o Irã intensificou ações sobre embarcações e reafirmou controle sobre o estreito, enquanto sinais diplomáticos permanecem desencontrados — há relatos de disposição iraniana para negociar e movimentos diplomáticos em andamento.
Do ponto de vista do mercado, a alta reflete sobretudo uma reprecificação do risco logístico. O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima; qualquer sinal de disrupção eleva prêmios de seguro, fretes e o custo operacional, traduzindo-se em preços à vista mais altos e favorecendo estruturas de backwardation — sinal clássico de aperto no curto prazo.
As consequências macroeconômicas são concretas: um petróleo persistentemente acima de US$ 90 reintroduz pressão inflacionária via combustíveis e transporte, complicando o balanço dos bancos centrais entre controle de preços e sustento do crescimento. O cenário segue condicionado: de um lado, uma escalada que interfira nos fluxos físicos; do outro, uma recomposição diplomática que permita descompressão. Até que seguradoras, armadores e operadores reduzam a percepção de risco, o mercado continuará pagando um prêmio econômico relevante.