A fintech brasileira Ótmow anunciou um aporte de R$ 25 milhões vindo da instituição financeira japonesa Credit Saison e a estruturação de um FIDC de R$ 35 milhões para operações de antecipação de recebíveis de contratos públicos. A movimentação chega em momento de crédito mais seletivo no sistema bancário e crescente busca de investidores por ativos com fluxo previsível.

O modelo da empresa transforma pagamentos futuros da administração pública em liquidez imediata para fornecedores, reduzindo a dependência do capital de giro tradicional em setores como saúde, infraestrutura, tecnologia e educação. Para participantes do mercado, o segmento continua pouco explorado pelo grande sistema financeiro, apesar do volume relevante de empresas que operam com prazos públicos longos.

Investidores têm sido atraídos pelo perfil de fluxo ajustado ao risco que contratos públicos oferecem em ambiente de juros elevados. A oferta de fundos estruturados e veículos como o FIDC tende a diversificar fontes de financiamento fora dos grandes bancos, forçando concorrentes tradicionais a repensarem produtos para empresas que convivem com atrasos e prazos longos de pagamento.

A operação, segundo a própria gestão da Ótmow, mira em ampliar o leque de investidores interessados nesse nicho e suprir uma demanda estrutural por liquidez. Do ponto de vista técnico, o avanço desse mercado amplia alternativas para fornecedores, mas também centraliza retornos na velocidade de pagamento do setor público, o que exige avaliação criteriosa de risco por parte dos investidores.