O ouro fechou em queda nesta quinta-feira, mesmo com recuperação nos minutos finais da sessão após declarações do presidente dos EUA. Na Comex, o contrato para agosto recuou 0,50%, a US$ 4.114,0 por onça-troy; a prata para julho caiu 1,14%, a US$ 64,001. No intradiário, o metal chegou a operar abaixo de US$ 4.100, com mínima em US$ 4.046,2, antes de reagir ao anúncio de que ataques planejados contra o Irã foram cancelados após avanços nas negociações.

O alívio geopolítico, por reduzir temporariamente a demanda por ativos de refúgio, convive com preocupações inflacionárias. Relatos indicam que Teerã manteve contatos com representantes dos Emirados Árabes Unidos e que as hostilidades noturnas entre EUA e Irã deram lugar a negociações, fatos que suavizaram o pânico imediato nos mercados.

Analistas e consultorias destacam riscos ainda presentes. A TD Securities alerta que o ouro se aproxima de um nível crítico e que um recuo sustentado abaixo de US$ 4.000 pode deflagrar uma onda ampliada de vendas, comprometendo parte da alta projetada para 2025. Na mesma direção, a XS.com ressalta que o choque sobre preços de energia pode alimentar inflação e elevar apostas por juros mais altos, cenário que pesa sobre ativos que não rendem juros.

Além do fator geopolítico, o mercado reagiu ao índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA, que superou expectativas, reforçando a possibilidade de maior agressividade do Fed ainda este ano. Para investidores e gestores, o desfecho sinaliza necessidade de recalibragem de carteiras: acompanhar de perto a evolução dos preços de energia, os dados de inflação e o nível-chave de US$ 4.000 será determinante para decisões de hedge e alocação.