O ouro encerrou a sessão desta segunda-feira em queda, devolvendo parte do ganho semanal em meio à escalada de hostilidades no Oriente Médio. Na Comex, o contrato para agosto recuou 1,89%, fechando a US$ 4.506,3 por onça-troy, enquanto a prata para julho caiu 0,82%, a US$ 75,254 a onça. Durante o dia o metal chegou a operar abaixo de US$ 4.500 e tocou mínimos próximos de US$ 4.400.

A pressão sobre o metal ocorreu apesar do risco geopolítico, porque o cenário alimentou um salto no petróleo e na demanda por dólar, ao mesmo tempo em que os rendimentos dos Treasuries subiram. Relatos da agência Tasnim disseram que o Irã teria suspendido comunicações com os EUA em protesto por avanços israelenses no Líbano; em paralelo, o presidente dos EUA disse à NBC não ter confirmação plena da suspensão.

Analistas consultados por agências ressaltam que o ouro tende a se valorizar em ambientes de fraqueza econômica com queda de yields e dólar mais fraco — condição que não se confirmou nesta rodada. O Saxo Bank observou que o atual mix de inflação e alta de juros limita o apelo do metal; já o TD Securities apontou que, com preços de energia mais elevados, outras commodities, como metais básicos e petróleo, têm desempenho superior ao do ouro.

O episódio deixa lições para investidores e para a avaliação do risco inflacionário: tensões geopolíticas não garantem automaticamente fluxo para o ouro quando políticas monetárias e yields favorecem ativos de rendimento. Para o mercado brasileiro, a combinação de alta do dólar e dos preços de energia reforça pressões inflacionárias e custos de hedge, complicando estratégias de proteção patrimonial e gestão de risco no curto prazo.