O ouro encerrou a sessão em queda, em meio a renovadas tensões entre Estados Unidos e Irã que elevaram os preços do petróleo e reacenderam preocupações com a trajetória da inflação. Na Comex, o contrato para junho recuou cerca de 1%, encerrando em US$ 4.693,7 por onça-troy — movimento alinhado ao repique dos ativos energéticos.
Analistas destacam que a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio de petróleo, tem sustentado um choque energético que pode manter as pressões inflacionárias. Para instituições como o MUFG, esse cenário reforça a possibilidade de que bancos centrais mantenham taxas de juros mais elevadas por mais tempo, reduzindo o apelo do ouro, ativo que não rende juros.
A escalada diplomática também teve nuances: os EUA cancelaram o envio de negociadores, enquanto o Irã buscou interlocução com Paquistão e Rússia. Segundo relatórios de mercado, Teerã teria condicionado o fim do bloqueio à retirada do seu programa nuclear das negociações — sinal de que a solução diplomática segue distante, com efeito direto sobre os preços de energia.
No plano da política monetária, o Federal Reserve se reúne esta semana e as casas de análise, como o Macquarie, projetam manutenção das taxas. A possível transição na presidência do Fed — de Jerome Powell para o indicado Kevin Warsh — é monitorada, mas o Goldman Sachs estima que a mudança não deva alterar imediatamente o rumo da política. Para investidores, porém, a combinação de choque energético e política monetária mais rígida reduz o espaço para o ouro brilhar como porto seguro.