O ouro fechou em queda nesta quarta-feira, com o contrato para junho registrando recuo de 0,55% na Comex e preço em US$4.823,6 por onça-troy. Apesar da baixa, o metal permaneceu acima do patamar de US$4.800, sustentado por um dólar relativamente mais fraco, que tem funcionado como apoio técnico à cotação.
O movimento no mercado reflete um quadro geopolítico ainda instável. Houve relatos de mediação paquistanesa nas conversas entre EUA e Irã, mas sinais contradictórios dos americanos — incluindo a declaração de Donald Trump sobre não cogitar estender uma trégua — e a negação israelense de um cessar-fogo com o Líbano mantêm incerteza. Para analistas do Saxo Bank, o ouro precisa de avanços concretos na região para consolidar alta sustentável.
No campo das autoridades monetárias, dirigentes do Fed voltaram a enfatizar os efeitos do conflito sobre a economia. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, chamou atenção para o impacto dos preços de energia na inflação, enquanto Austan Goolsbee alertou para um 'duplo perigo' — guerra no Irã somada a tarifas — que complica a tarefa do banco central americano. Esse mix aumenta a dificuldade de calibrar juros em um cenário onde choques externos elevam o risco inflacionário.
Para investidores e formuladores de política, o sinal é claro: a persistência de um prêmio de risco associado ao Oriente Médio tende a reforçar a procura por ativos refúgio e pressionar preços de commodities, com consequências para a inflação global e para mercados emergentes. Em Brasília e em outras capitais, isso traduz-se em um ambiente mais exigente para políticas fiscal e monetária, que terão de reconciliar contenção de preços e estabilidade financeira.