O ouro encerrou em queda nesta terça-feira, ampliando perdas e batendo as mínimas do ano em meio a um cenário que privilegia juros mais altos por mais tempo nos Estados Unidos. Na Comex, o contrato de agosto caiu 1,76%, a US$ 4.286,4 por onça-troy, enquanto a prata para julho recuou 4,9%, a US$ 65,240 por onça-troy — perdas que se aceleraram no final da sessão.
O movimento de aversão ao metal ocorreu depois de declarações do presidente dos EUA afirmando que o país responderá a um ataque do Irã que derrubou um helicóptero americano. O tom mais duro de Tehran, reforçado por publicações do presidente do Parlamento iraniano na rede X, reforçou o risco geopolítico, mas não foi suficiente para sustentar os preços: o ouro voltou a operar na faixa de US$ 4.200, tocando o menor patamar desde novembro de 2025.
Analistas consultados pelo mercado apontam que, apesar do aumento do risco geopolítico — que normalmente favoreceria ativos de proteção — a lógica atual é dominada pela expectativa de política monetária restritiva. Instituições como TD Securities, MUFG e Commerzbank destacam que rendimentos mais altos e um dólar fortalecido reduzem o apelo de ativos sem rendimento, pressionando ouro e prata; o MUFG observa que o metal permanece significativamente abaixo do nível pré-conflito.
Para investidores, a combinação de incerteza externa e perspectiva de inflação resistente nos EUA tende a reforçar a preferência por renda fixa e títulos que pagam yield, diminuindo a procura por metais preciosos como hedge. No curto prazo, o mercado mira os dados do CPI americano: um número acima do esperado pode aprofundar a queda dos metais, enquanto leituras mais calmas poderiam abrir espaço para recuperação. (Com informações de Dow Jones Newswires.)