O ouro fechou em queda nesta quarta-feira (3), devolvendo parte das altas recentes e recuando para perto de US$ 4.467 por onça-troy na Comex. O contrato de agosto encerrou com perda de 1,17%. A prata também teve recuo relevante: o contrato para julho caiu 2,5%, a US$ 73,694 por onça-troy. O movimento refletiu aumento do apetite por proteção contra risco simultaneamente à volta de preocupações com inflação.

O recuo foi alimentado pela escalada de confrontos no Oriente Médio. Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques: Washington bombardeou um alvo no Estreito de Ormuz em resposta a um ataque iraniano que atingiu Kuwait e Bahrein, segundo relatos. Paralelamente, a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah e as declarações sobre a necessidade de "desmilitarizar o Líbano" pelo governo israelense ampliaram a imprevisibilidade regional. O efeito prático nos preços foi imediato: o petróleo voltou a subir, aproximando-se da faixa de US$ 100 o barril, o que reacende pressões inflacionárias globais.

Analistas citados no mercado apontam que esse ambiente geopolítico pesa sobre os metais preciosos de maneira contraditória: enquanto crises costumam beneficiar o ouro como refúgio, a combinação de alta do petróleo e expectativa de juros mais elevados reduz a atratividade do metal por aumentar seu custo de oportunidade. O Forex.com alertou que um avanço maior dos preços do petróleo pode empurrar o ouro para a faixa de US$ 4.000; já o TD Securities destacou a dificuldade do metal em recuperar terreno diante das expectativas de aperto monetário do Federal Reserve, mantidas até o início de 2027, e das novas tarifas propostas pelo governo dos EUA.

No front macro, dados recentes também influenciaram o humor: o setor privado americano criou 122 mil empregos em maio, segundo a ADP, número acima do consenso, e o mercado agora aguarda o relatório oficial de emprego da sexta-feira. Uma leitura robusta reforçaria apostas em juros mais altos por mais tempo, comprimindo ainda mais os preços do ouro. Para investidores e formuladores, o quadro combina maior volatilidade de commodities com um diferencial de juros que tende a favorecer ativos financeiros atrelados a rendimento, ao mesmo tempo em que eleva riscos para a trajetória da inflação global.