O ouro fechou em queda acentuada nesta sexta-feira, com o contrato de agosto na Comex registrando recuo de cerca de 3,1%, a US$ 4.365,3 por onça-troy. A prata teve perda ainda maior, perto de 6,6%, negociada em torno de US$ 69,10, níveis que levaram os dois metais a somarem declínios semanais relevantes — aproximadamente 5% para o ouro e 9% para a prata.

Dois fatores explicaram a pressão: o fortalecimento do dólar e a alta nos juros dos Treasuries, impulsionados por um payroll robusto nos EUA. O relatório mostrou criação de 172 mil vagas em maio, bem acima da mediana de 85 mil esperada pelo mercado, o que reaquece apostas em aperto monetário pelo Federal Reserve.

Analistas e casas como TD Securities e o CME Group passaram a ver maior probabilidade de elevações de juros em horizonte mais curto; para a Capital Economics, o Fed poderá fazer "altas preventivas" até o fim de 2026 caso o mercado de trabalho permaneça resiliente. Essa mudança na precificação reduz o apelo por ativos que não pagam rendimento, como ouro e prata.

A reemergência de tensão no Oriente Médio — com declarações indicando risco de ampliação do conflito caso não haja acordo com os EUA — manteve a volatilidade, mas não foi suficiente para sustentar a demanda por safe havens diante do movimento de rendimentos e do dólar. O ouro atingiu seu menor nível desde dezembro de 2025 durante a sessão.

O recuo dos metais pressiona estratégias de proteção de carteiras e eleva o custo de seguros para agentes que usam ouro e prata como hedge. Para mercados e formuladores de política, o episódio reforça uma consequência clara: dados de emprego robustos complicam a narrativa de flexibilização futura e podem aumentar a volatilidade em ativos sensíveis a juros.