O ouro e a prata sofreram quedas acentuadas na sessão desta sexta‑feira. Na Comex, o contrato de ouro para junho caiu cerca de 2,63%, cotado perto de US$ 4.561,9 por onça‑troy, acumulando perda semanal em torno de 3,6%. A prata desabou aproximadamente 9,12%, a US$ 77,547 por onça‑troy, com recuo semanal de cerca de 4,1%. Os números refletem forte aversão momentânea ao risco nos mercados de metais preciosos.
O movimento foi impulsionado por uma combinação de fatores: a cúpula entre os líderes dos EUA e da China não trouxe avanços claros sobre o conflito no Oriente Médio, e o endurecimento do tom de Washington em relação ao Irã reacendeu tensões regionais. O salto nos preços do petróleo alimentou a apreciação do dólar e a busca por títulos do Tesouro norte‑americano, comprimindo a atratividade de ativos sem rendimento, como ouro e prata.
Além do ambiente geopolítico, investidores voltaram a ajustar expectativas sobre o ciclo de juros nos EUA. A ferramenta do CME Group mostra aposta crescente em uma alta de juros ainda em dezembro de 2026, e dados econômicos mais 'hawkish' citados por analistas do Forex.com reforçaram essa leitura. Ao mesmo tempo, medidas indianas para restringir importações de ouro — entre limites de volume e elevação de encargos, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg — reduzem a demanda em um dos maiores mercados consumidores.
O resultado é maior volatilidade e menor funcionalidade dos metais como hedge imediato. Para a economia brasileira, a combinação de dólar mais forte e yields globais elevados tende a complicar a inflação de importados e a estratégia de proteção de investidores e empresas que dependem de metais. Politicamente, o cenário acende alerta para quem governa: custos de financiamento internacionais mais caros e maior pressão sobre a margem fiscal exigem atenção do Executivo e do Banco Central nas próximas semanas, enquanto o mercado monitora sinais do Fed, decisões indianas e a evolução do conflito no Oriente Médio.