O ouro recuperou terreno e fechou a sessão desta quinta-feira em alta de 1,49% na Comex, a US$ 4.629,6 por onça-troy, após acumular três quedas seguidas. A prata avançou 2,75%, a US$ 73,534, em um movimento que mistura fatores técnicos e fluxos por busca de segurança. O quadro vem acompanhado de um dólar mais fraco, que tende a tornar os metais preciosos mais atrativos para compradores em dólares.

No front geopolítico, relatos de nova escalada no Oriente Médio ganharam espaço: o Axios informou que o presidente dos EUA recebeu planos de ações militares contra o Irã, e a Euronews noticiou planos de retomada de ações militares por parte de Israel. Esses sinais elevaram a aversão ao risco e alimentaram demanda por ativos de refúgio, contribuindo para a recuperação do ouro.

Analistas financeiros enxergam ainda outros vetores de suporte. O TD Securities aponta que a fraqueza do dólar e indícios de intervenção cambial no iene ajudam a sustentar o metal, embora destaque que o gatilho de baixa técnico esteja mais próximo que o de alta. O MUFG atribuiu parte do movimento a compras na baixa, já que foi a primeira sessão positiva da semana para o ouro.

A leitura conjuntural é clara: a combinação entre riscos geopolíticos e um dólar mais fraco tende a reforçar a procura por proteção, mas a dinâmica futura depende de fatores monetários. Na quarta-feira, o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% e citou incertezas ligadas ao conflito e à inflação de energia — elementos que mantêm volatilidade nos mercados. Para investidores e formuladores de política, o cenário exige atenção: o ouro segue como hedge, mas com espaço para correções caso a sintonia entre dólar, juros reais e risco geopolítico se altere.