O ouro fechou em alta de 3% na Comex nesta sexta-feira (12), cotado a US$ 4.238,80 por onça-troy, em meio a expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Apesar do avanço diário, o metal acumula perda de 2,9% na semana; a prata também subiu 6,2% no dia, mas fechou a semana em baixa de 1,6%. O movimento reflete, em grande parte, a pressão sobre o dólar e a queda nos preços do petróleo, decorrentes da perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz.

O noticiário teve episódios contraditórios: o presidente dos EUA acusou o Irã de mentir sobre o memorando, enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou que as partes nunca estiveram tão próximas de um tratado. O mercado reagiu ajustando posições conforme as mensagens circulavam, o que reforça a natureza sensível e volátil das cotações a notícias geopolíticas.

Instituições financeiras traçam leituras diferentes: o Deutsche Bank aponta redução nas apostas por aumentos rápidos das taxas pelo Fed ainda em 2026 — antes uma alta em dezembro era tida como quase certa —, o que favorece ativos considerados porto-seguro. Já o TD Securities adverte que a estrutura frágil do possível acordo e os juros elevados dos Treasuries limitam ganhos dos metais. Para analistas no Canadá, queda sustentada abaixo de US$ 4.000 depende de nova escalada geopolítica ou recuperação do petróleo.

A leitura política e econômica é clara: mesmo com bom humor momentâneo, o mercado permanece exposto a reversões. A combinação entre sinais de acomodação nas expectativas de juros e a fragilidade do acordo no Oriente Médio cria um ambiente de altas rápidas e risco de correções. Investidores e formuladores de política monetária devem seguir as negociações de perto; qualquer retrocesso pode reverter a redução da pressão inflacionária global e readensar a demanda por ativos de proteção.