Na sessão desta quinta-feira (21), o ouro reverteu perdas e fechou em alta de 0,16%, cotado a US$ 4.542,5 por onça-troy na Comex. A prata para julho avançou 0,72%, a US$ 76,732 por onça-troy. O movimento ocorreu depois que o site Al Arabiya divulgou relatos de um acordo mediado pelo Paquistão entre Washington e Teerã, com previsão de cessar‑fogo "imediato e abrangente" e liberação completa do Estreito de Ormuz — notícias que arrefeceram o petróleo e puxaram para baixo os rendimentos dos títulos longos dos Treasuries.
Além do noticiário geopolítico, investidores digeriram o tom relativamente moderado da ata do Fed sobre a reunião de abril. Ferramentas de mercado, como o CME Group, mantêm apostas em alta dos juros dos EUA ainda em dezembro de 2026, o que sustenta uma tensão entre pressões de inflação futura e a demanda por proteção. Analistas apontam que manchetes contraditórias sobre o conflito ampliam a volatilidade e alteram rapidamente posicionamentos em metais preciosos.
O episódio ilustra a sensibilidade atual do ouro: notícias de desescalada reduzem a demanda por refúgio, comprimindo preços, mas a permanência da calma depende da verificação dos termos e da estabilidade do desfecho — sobretudo após relatos matinais sobre o destino do urânio enriquecido iraniano, que reacenderam incertezas. Para investidores, o balanço entre política monetária mais apertada e riscos geopolíticos continuará a ditar oscilações de curto prazo.
Do ponto de vista político e econômico, uma descompressão sustentável nos preços do petróleo e nos prêmios de risco aliviaria pressões inflacionárias externas e poderia reduzir aperto sobre câmbio e juros em economias emergentes. Mas a notícia ainda não elimina a necessidade de cautela: incertezas persistentes mantêm a relevância de sinais do Fed, níveis dos rendimentos e novas manchetes internacionais para calibrar posições e decisões de política.