O ouro fechou em queda nesta quinta-feira, apesar do aumento das incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Na Comex, o contrato para junho cedeu 0,61%, terminando próximo de US$ 4.724 por onça-troy, enquanto a prata para maio recuou 3,15%, a US$ 75,50. O movimento marca aversão momentânea em um ativo historicamente visto como refúgio em crises.

O recuo acompanha uma sequência de eventos: os Estados Unidos anunciaram a apreensão de navios petroleiros associados ao Irã em águas asiáticas, e o presidente americano afirmou que Washington exerce controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, determinando ação contra embarcações que coloquem minas. Do outro lado, a liderança parlamentar iraniana disse que a reabertura da via não é viável diante de violações do cessar-fogo, enquanto Líbano e Israel retomaram negociações para estender a trégua.

Analistas do Deutsche Bank já vinham alertando que a ausência de negociações mais robustas entre EUA e Irã leva o mercado a precificar um conflito mais duradouro e a possibilidade de um bloqueio prolongado em Ormuz. Esses sinais de escalada reforçam um cenário em que prêmios de risco permanecem elevados, com impacto direto em fluxos de capitais e na avaliação de ativos expostos a choques de oferta energética.

Para investidores e formuladores de política, a combinação de ações militares e risco de interrupção na principal rota petrolífera acende alerta sobre custos de energia e volatilidade dos mercados. A leitura mais imediata é de maior aversão ao risco e necessidade de reavaliação de carteiras; no médio prazo, um conflito prolongado tende a pressionar preços de commodities e complicar decisões econômicas e fiscais em níveis domésticos e globais.