O ouro encerrou a sessão desta sexta em leve alta, com a cotação de junho subindo 0,35% para US$ 4.740,9 por onça-troy, apesar de queda acumulada na semana de 2,84%. A prata também teve recuperação diária, mas segue pressionada em perdas semanais relevantes. O movimento revela um mercado dividido entre busca por porto‑seguro e fatores que limitam ganhos.
Pela manhã o metal recuou, chegando a operar abaixo de US$ 4.700 depois de relatos sobre instalação de minas no Estreito de Hormuz por parte do Irã e de endurecimento do tom americano, cenas que reforçaram a percepção de fragilidade da trégua regional. Em seguida, notícias sobre uma iniciativa diplomática — com a ida de representantes dos EUA ao Paquistão para negociações — e a extensão temporária do cessar‑fogo entre Israel e Líbano deram suporte parcial aos preços.
Ainda assim, a alta do ouro foi contida por preocupações inflacionárias e pela leitura de que bancos centrais podem responder a um choque de oferta em energia. Analistas do ING apontam que, com o prolongamento do conflito e impacto no tráfego marítimo, autoridades monetárias devem avaliar ajustes na política, o que reduz o apetite por ativos tradicionalmente defensivos.
No cenário institucional, o mercado também acompanhou o fim de investigações envolvendo o presidente do Fed, um evento que vinha sendo visto como obstáculo a indicações internas no órgão. O resultado é um metal sensível tanto ao risco geopolítico quanto à incerteza sobre a trajetória da política monetária — combinação que tende a manter volatilidade e a limitar rallies sustentáveis no curto prazo.