O contrato de ouro mais negociado fechou em alta nesta sexta-feira, encerrando uma semana positiva para o metal mesmo depois de o Federal Reserve aumentar a taxa de juros na quarta-feira. Na Comex, o ouro para dezembro ficou cotado em cerca de US$ 4.424,9 por onça-troy, numa leitura que mostra que a reação imediata do mercado foi de suporte, não de queda abrupta.

Analistas seguem desconstruindo a relação entre preços do ouro, rendimentos dos Treasuries e o dólar para entender se o movimento é sustentável. A prata também teve desempenho relevante: o contrato para dezembro avançou cerca de 1,6% na sessão, acumulando alta semanal próxima de 3%, sinalizando fluxo comprador em metais preciosos no curto prazo.

Relatórios do Commerzbank apontam que a reação do ouro tende a ocorrer no dia da decisão do Fed, mais do que na posterior divulgação das atas, e estimam um impacto negativo imediato na cotação diante de surpresas na política monetária — algo próximo de 0,38% para cada ponto-base de surpresa, na conta do banco. Ou seja: decisões inesperadas de aperto continuam a ser risco direto para preços.

A Capital Economics lembra, porém, que forças como compras de bancos centrais e movimentos do dólar têm distorcido a relação tradicional entre metais, taxas e moeda. Sua projeção é de queda de quase 10% nos preços do ouro ao longo do ano, rumo a patamares próximos de US$ 4.000 por onça-troy, caso o suporte extraordinário vá se esgotando. É um alerta para investidores que consideram o metal proteção automática contra juros mais altos e inflação.

Além do mercado, há um elemento institucional relevante: reportagens indicam negociação entre governo e oposição venezuelanos para transferir reservas de ouro do Banco da Inglaterra ao Fed de Nova York, com limitações à venda imediata e possibilidade de uso como garantia. Movimentos dessa natureza reconfiguram a forma como reservas são usadas e podem alterar disponibilidade no mercado, com efeitos sobre preços e alavancagem de governos.