As expectativas por uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã e um câmbio mais favorável ao dólar pressionaram os metais preciosos nesta terça-feira. Minutos antes do fechamento, reportagens sobre a suspensão das conversas entre as partes ampliaram as perdas. Na Comex, o ouro para junho caiu 2,26%, a US$ 4.719,60 a onça-troy, e a prata para maio recuou 4,43%, a US$ 76,488 a onça-troy.

O movimento reflete um fluxo de aversão ao risco que, curiosamente, beneficia o dólar como ativo defensivo — reduzindo a demanda por proteção via ouro. Em relatório, o analista da TD Securities Daniel Ghali assinala que percepções de fim do conflito e prioridade à estabilização econômica e às importações de energia desencorajam compras do metal, pressionando seus preços.

No front político e monetário, a sabatina do indicado ao comando do Federal Reserve, Kevin Warsh, acrescentou combustível ao avanço do dólar. Warsh defendeu a posição da moeda americana no sistema global, sinalizando possíveis ações para fortalecê-la. Analistas da ANZ também ressaltam que a alta da inflação, em parte atribuída ao conflito no Oriente Médio, pode forçar o Fed a adiar ou reduzir a intensidade dos cortes de juros — cenário que historicamente pesa contra o ouro.

Mesmo declarações do secretário de Energia dos EUA apontando que o preço da gasolina teria batido um pico recentemente não eliminaram a incerteza sobre a duração do conflito, o que pode postergar a normalização monetária. Para investidores e formuladores de política, o resultado prático é uma janela de menor apelo para metais e um aumento da aposta em ativos denominados em dólar, complicando a narrativa sobre quando e quanto o Fed poderá afrouxar a política.