O ouro fechou em queda na Comex nesta sexta-feira, refletindo um quadro de sinais mistos no front geopolítico e dúvidas sobre a trajetória das taxas de juros nos EUA. O contrato para agosto recuou 0,65%, a US$ 4.113,7 por onça-troy; a prata também caiu 0,96%, a US$ 60,16. Na semana, os metais registraram perdas modestas, da ordem de 0,3% a 0,8%, num contexto de volatilidade contida.
No radar dos operadores, a retomada das negociações entre EUA e Irã mediadas pelo Catar conviveu com a declaração do presidente Donald Trump de que um acordo de cessar-fogo “acabou”. Houve relatos de bombardeios no Irã na quinta, sem confirmação americana de participação. Para o ANZ, esse arrefecimento parcial dos temores limitou a queda do ouro, mas não gerou um movimento claro de compra do ativo seguro.
A pressão mais direta vem, contudo, da expectativa de taxas ainda elevadas no curto prazo. Analistas da Pepperstone, citando o estrategista Ahmad Assiri, apontam que o aumento nos preços de energia — ligado à nova escalada de tensões — pode postergar a desinflação global e manter rendimentos dos Treasuries altos, elevando o custo de oportunidade de deter ouro. Apesar disso, casas como a GivTrade seguem vendo um cenário médio construtivo, sustentado pela busca por proteção e pela diversificação de reservas por bancos centrais.
Além do impacto imediato nos preços, o movimento reforça um dilema para investidores e formuladores: rendimentos elevados pressionam o metal, mas riscos geopolíticos e a ação de bancos centrais mantêm demanda segura. A decisão do Fed de formar forças-tarefa para revisar áreas centrais da política monetária adiciona um elemento de incerteza institucional que, no curto prazo, complica a leitura sobre quando e como a trajetória de juros poderá ceder.