O ouro encerrou a sessão em queda, pressionado por um dólar mais forte e pelo avanço de riscos geopolíticos que ainda não despejaram demanda segura suficiente nos mercados. Na Comex, o contrato para junho caiu 0,45%, para US$ 4.685,3 por onça-troy, enquanto a prata para julho recuou 4,52%, para US$ 85,328 por onça-troy.
O movimento ocorreu após a reunião entre os presidentes dos EUA e da China, na qual Washington afirmou que Pequim não fornecerá equipamentos militares ao Irã e se colocou disponível para ajudar na busca de um acordo que limite capacidades nucleares iranianas. Mesmo assim, ataques a navios na região e a declaração de que Israel está pronto para novas ações mantêm as tensões elevadas e sustentam o barril de petróleo acima de US$ 100.
No curto prazo, porém, outro fator com impacto direto sobre o metal foi a decisão de Nova Délhi de apertar regras para importação de ouro: barras acima de 100 quilos passarão a exigir autorização do governo, segundo a Bloomberg. A medida, parte de uma tentativa declarada de proteção cambial, vem junto com aumentos nas tarifas de importação e apelos para que consumidores reduzam compras — passos que tendem a frear a demanda física e influenciar preços.
Analistas da TD Securities apontam que o ouro deve ensaiar recuperação nos próximos dias, ainda que sem a mesma intensidade vista na prata. No conjunto, a combinação de dólar forte, intervenção comercial indiana e persistente risco no Oriente Médio muda a dinâmica de oferta e demanda e obriga investidores e traders a recalibrar posições, sem oferecer, por ora, sinal claro de retomada sustentada de preços.