O ouro terminou a sessão em queda nesta segunda-feira, ampliando perdas da semana anterior e mantendo-se na faixa dos US$ 4.500 por onça-troy. Na Comex, o contrato para junho recuou 0,1%, a US$ 4.558, enquanto a prata para julho cedeu 0,13%, a US$ 77,444 por onça-troy. A sessão foi marcada por volatilidade nos preços de metais, no petróleo e nos títulos públicos, em meio a notícias desencontradas sobre negociações diplomáticas no Oriente Médio.

Os rendimentos dos títulos governamentais subiram para máximas que não se viam há anos, em um movimento que reduziu o apelo de ativos que não pagam retorno corrente. Destaque para os títulos de 10 anos do Japão, nos níveis mais altos desde 1996, e para o prazo similar da Alemanha, na máxima desde 2011. Ao mesmo tempo, relatos da imprensa iraniana sobre avanços — incluindo menções à suspensão de sanções petrolíferas e à transferência de reservas de urânio enriquecido — alternaram com informações de insatisfação nas negociações, trazendo incerteza ao mercado.

Analistas ouvidos pelo mercado destacam o efeito combinado: a falta de progresso nas conversas internacionais aumenta a probabilidade de que bancos centrais mantenham juros elevados, ou até os elevem, segundo o MUFG. A Forex.com, por sua vez, pontua que preços do petróleo mais altos reforçam pressões inflacionárias, enquanto rendimentos governamentais mais altos tornam o ouro menos atraente para investidores em busca de retorno. O resultado é menor demanda por proteção em ouro no curto prazo e ajuste de carteiras por gestores e investidores privados.

Para mercados e investidores, o movimento traz implicações claras: ativos sem rendimento ficam sob pressão em ambiente de juros mais altos, e a persistente incerteza geopolítica amplia a volatilidade. No plano macro, a combinação de preços de energia firmes e títulos mais rentáveis complica a leitura sobre inflação e taxa de política, exigindo cautela por parte de gestores e autoridades. Em suma, o ouro perde força nesta fase enquanto o mercado recalibra riscos entre retorno e proteção.