O contrato mais negociado do ouro fechou em forte alta nesta sexta-feira, subindo 2,33% e alcançando US$ 4.399,7 por onça-troy, resultado que levou a uma valorização semanal de cerca de 8,6% — a maior desde janeiro. A prata também avançou, registrando alta de 3,07% e cotada a US$ 63,499 por onça-troy.

O catalisador imediato foi o payroll norte-americano mais fraco do que o esperado, que reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá manter a taxa de juros estável na próxima reunião. Em cenários de juros longos e incerteza, ativos que não pagam rendimento passam a ter apelo como proteção, elevando a procura por ouro.

Além do ambiente macro, houve dinamismo na demanda oficial por reservas: análises do mercado indicam que, ainda que as compras de bancos centrais tenham desacelerado neste ano em razão do forte rali dos preços, a acumulação de ouro pelo PBoC em Hong Kong — e a realocação de reservas que vinha de Londres — reacende a relevância do metal para gestão de reservas. Há também avaliação de que tensões cambiais e potenciais restrições às vendas de ativos denominados em dólar podem tornar o ouro mais atraente para autoridades monetárias.

Para investidores e formuladores de política, a leitura é dupla: parte do avanço tem componente especulativo e pode se corrigir, mas a combinação de fraqueza do mercado de trabalho nos EUA, riscos geopolíticos e movimentação de reservas cria um piso de demanda que tende a influenciar rendimentos, dólar e o custo de financiamento dos governos. O movimento deixa claro que a gestão de risco e a diversificação de reservas permanecem no centro das decisões.