O ouro teve alta expressiva nesta quarta (5): o contrato mais líquido para dezembro fechou em alta de 3,7%, a US$ 4.305,26 por onça-troy na Comex, enquanto a prata subiu 3,4%, a US$ 62,288. O movimento reverteu parte das perdas recentes — o metal acumula mais de 5% de alta nas duas últimas sessões e voltou à faixa dos US$ 4.300.

A recuperação foi motivada por relatos de que negociadores do Irã e de Omã fecharam um rascunho de acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, pendente de aprovação do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. Fontes citadas pela Associated Press classificaram o entendimento como temporário; o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acerto poderia ser anunciado já nesta quarta ou quinta-feira, segundo as mesmas reportagens.

Essas perspectivas reduziram, momentaneamente, o prêmio por risco geopolítico que vinha sustentando a demanda por ativos-refúgio. Ao mesmo tempo, vozes do Federal Reserve mantêm pressão por aperto: Neel Kashkari afirmou ser a hora de começar a elevar gradualmente os juros — ele foi dissidente favorável a +25 pontos-base na última reunião — e o presidente do Fed de Kansas City, Jeff Schmid, também defendeu mais aperto para devolver a inflação à meta de 2%.

O quadro fica, porém, dividido: dados privados mostraram criação de 44 mil vagas no setor privado em julho (ADP), abaixo da expectativa de 75 mil, o que pode atenuar a urgência de altas mais agressivas. Para investidores e formuladores de política, a combinação de menor tensão no Oriente Médio e sinais mistos do mercado de trabalho sugere volatilidade elevada e um dilema claro para o Fed sobre o ritmo de aperto nas próximas decisões.