Os contratos futuros de ouro fecharam em forte alta nesta terça-feira, com a onça-troy para junho subindo 1,73% e encerrando a US$ 4.850,1 na Comex. Na sessão, o metal chegou a tocar US$ 4.867,7, enquanto a prata avançou 5,11%, para US$ 79,53 por onça-troy. O movimento ocorreu em meio a um dólar mais fraco — o índice da divisa cedia 0,3%, a 98,07 pontos perto de 14h30 (horário de Brasília) — e com o petróleo negociado abaixo de US$ 100 por barril.

O principal gatilho de mercado foi a combinação entre o enfraquecimento do dólar e notícias de que as conversas entre Estados Unidos e Irã podem ser retomadas em breve, reduzindo, temporariamente, o prêmio por ativos considerados de segurança. Fontes citadas pela imprensa internacional indicaram avanços nas tratativas, enquanto representantes iranianos descreveram progresso, apesar de críticas às mudanças de demanda nas negociações realizadas no fim de semana em Islamabad.

Analistas da TD Securities ressaltam que, na atual fase, o ouro funciona sobretudo como um instrumento de defesa cambial. Segundo a instituição, se crescer a percepção de uma vitória clara no conflito, a necessidade de acúmulo de reservas em ouro pode perder força, diante da priorização de estabilização econômica e compras de energia. Esse diagnóstico explica a volatilidade: o metal sobe com o dólar fraco, mas permanece sensível a qualquer sinal de resolução geopolítica.

Para investidores e formuladores de política, a leitura é dupla: no curto prazo, a combinação dólar fraco e petróleo mais barato sustenta ativos de risco e impulsiona metais; no médio prazo, a dinâmica dependerá da evolução política entre potências e do impacto sobre câmbio e energia. No Brasil, variações do dólar e do petróleo continuam relevantes para inflação e conta externa, tornando episódios como este monitorados por mercados e autoridades.