O ouro encerrou a sessão desta sexta-feira em alta, impulsionado por sinais de alívio no cenário geopolítico e por um dólar mais fraco. Na Comex, o contrato de junho avançou 1,5%, para US$ 4.879,6 por onça-troy, acumulando ganho semanal de 1,9%. A prata para maio subiu 4%, a US$ 81.842, e teve alta de 7% na semana.
O movimento foi alimentado por notícias diplomáticas: o Irã anunciou que o Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá assim enquanto durar a trégua entre Israel e Líbano — prevista para 10 dias — e a imprensa internacional noticiou expectativa de encontros entre EUA e iranianos para buscar um acordo mais amplo. Publicações oficiais também refletiram a nova postura no front.
Para analistas, a perspectiva de redução das hostilidades alivia o temor de que bancos centrais precisem responder a choques inflacionários com políticas monetárias mais rígidas, o que eleva o custo de oportunidade de manter ativos sem rendimento. O Commerzbank destacou esse ponto, e a curva de juros passou a embutir maior probabilidade de cortes do Fed em 2026, com a ferramenta do CME apontando dezembro como data mais provável segundo investidores.
O recuo do índice DXY, que chegou a 98,023 por volta das 14h30 (de Brasília), tornou o ouro mais barato para detentores de outras moedas, estimulando demanda. Ainda assim, a sustentação do movimento dependerá da confirmação da trégua e dos sinais concretos da política monetária americana — fatores que podem reverter ganhos se o cenário geopolítico ou as expectativas de juros mudarem.