O contrato de ouro fechou em alta nesta terça-feira, sustentado por compras de bancos centrais e por realização de lucros na sequência da forte queda de segunda. Na Comex, o ouro para dezembro avançou cerca de 0,27%, cotado em US$ 4.179,7 por onça-troy; a prata para dezembro recuou 0,92%, a US$ 61,15 por onça-troy.

Os analistas qualificam o movimento como seletivo: embora a demanda institucional mantenha suporte técnico ao metal, há limites para a recuperação. A pressão vem da elevação dos rendimentos dos Treasuries e da valorização do dólar, fatores que reduzem o apelo do ouro como proteção. Em termos políticos e econômicos, o quadro atual acende alerta para investidores que calculam custo de oportunidade frente a juros mais altos.

Especialistas do Erste Group ouvidos no mercado apontam que compras de bancos centrais devem continuar elevadas, mas dificilmente serão suficientes para provocar uma alta expressiva enquanto persistirem expectativas de aperto monetário nos EUA. A leitura de que o avanço dos preços dos combustíveis pode empurrar o Fed a subir taxas na reunião de outubro alimenta essa cautela.

Além dos determinantes macro, uma reportagem do New York Times sobre o possível interesse do presidente Trump no ouro venezuelano adicionou um componente geopolítico ao debate. A aposta em ativos físicos vinculados a crises externas levanta dúvidas sobre riscos reputacionais e operacionais, e reforça a necessidade de os investidores avaliarem não só os fundamentos, mas também os custos políticos que podem afetar a liquidez e a volatilidade do mercado.