O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda-feira, com o lote de dezembro avançando 0,45%, a US$ 4.419,7 por onça-troy, segundo dados da Comex. A prata também reagiu, subindo 2,8% e cotada a US$ 65,272 por onça-troy, em sessão em que o metal amarelo recuperou parte das perdas após breve queda abaixo dos US$ 4 mil.

Analistas atribuem a alta a uma combinação de fatores: dados econômicos americanos mais fracos, que reduziram o risco imediato de novos aperto de juros; preocupação com o aumento da dívida fiscal dos EUA; o enfraquecimento do dólar; e demanda firme por parte de bancos centrais e investidores asiáticos, na avaliação do mercado. Paralelamente, a escalada do preço do petróleo, alimentada por notícias sobre navegação no Estreito de Ormuz, não ofuscou a força dos fundamentos do ouro.

O movimento segue às vésperas da publicação do CPI de julho e do PPI, indicadores que podem ser decisivos para a inclinação do Federal Reserve na reunião de setembro. Depois do payroll de sexta-feira passada, que derrubou os rendimentos dos Treasuries e reforçou aposta por um Fed mais permissivo, o mercado segue dividido: a ferramenta do CME Group aponta cerca de 45,9% de chance de alta e 54,1% de manutenção nas taxas no próximo mês.

Apesar da alta, o ouro continua distante das máximas recordes de final de janeiro — quando o contrato contínuo chegou a US$ 5.354,80 — e segue exposto a avanços nas expectativas de juros e à volatilidade em commodities. Para investidores e formuladores, o quadro impõe uma leitura cuidadosa: pequenas variações nas leituras de inflação podem redesenhar rapidamente o panorama de ativos, com reflexos em moedas, títulos e fluxos para ativos de proteção.