O ouro fechou a sessão com alta de 2,4% na Comex para o contrato de dezembro, a US$ 4.680,60 por onça-troy, consolidando um ganho semanal de 5,5%. A prata também registrou avanço: o contrato de setembro subiu 2,1%, a US$ 69,53, com alta semanal de 6,8%. Os números traduzem um movimento mais amplo de busca por ativos considerados refúgio em um ambiente de maior incerteza nos mercados globais.
Analistas citados no mercado apontam para ações recentes do Tesouro americano e intervenções em mercados de títulos como gatilho para deslocar capital para metais preciosos. Ao mesmo tempo, a desvalorização do dólar ajudou a elevar a atratividade do ouro para quem opera em outras moedas. O Commerzbank observa que, por ora, a alta de preços de energia não tem sido o motor principal do avanço, enquanto o fluxo para ETFs oferece suporte adicional aos preços.
A turma técnica lembra, porém, que a continuidade do rali depende do quadro macro nos EUA. A Capital Economics destaca que possibilidades de novas surpresas nas medidas de política podem manter o dólar sob pressão e sustentar o metal no curto prazo. Em contrapartida, se o deflator do PCE — a métrica de inflação preferida pelo Fed — voltar a sinalizar pressões de preços acima da meta, o argumento por um endurecimento surpresa nas taxas poderia frear o movimento, reduzindo a atração por ativos sem rendimento.
Para investidores e formuladores de política, o episódio reforça dois sinais: primeiro, que problemas na gestão da dívida e intervenções de curto prazo mexem com prazos e expectativas; segundo, que mercados de ativos refletem rapidamente essas incertezas. Nas próximas semanas, o calendário de dados de inflação americano, as comunicações do Federal Reserve e o comportamento dos fluxos para ETFs serão os pontos a observar para avaliar se o ouro mantém o ganho ou se o ímpeto do rali perde força.