O ouro encerrou a sessão desta sexta-feira em alta de 0,54%, cotado a US$ 4.321,2 por onça-troy na Comex, recuperando parte das perdas dos últimos dias. Apesar do movimento positivo do dia, o metal ainda registra queda semanal de 2,34%. A prata também subiu no dia (1,25%), a US$ 67,14/oz, mas acumulou recuo de 3,48% na semana.
Os principais vetores por trás da volatilidade foram os rendimentos dos Treasuries e o comportamento do petróleo. O yield do título americano de 10 anos atingiu 5,2% — o nível mais alto desde junho de 2007 — pressionando taxas reais e elevando o custo de oportunidade de ativos que não pagam juros, como o ouro. Analistas do Commerzbank destacaram que a expectativa de novos aumentos de juros pelo Fed pesa sobre o metal.
A alta do petróleo chegou a impulsionar os rendimentos ao longo da semana, após falhas nas expectativas de solução diplomática envolvendo o Irã, mas um recuo nas cotações do hidrocarboneto na sessão ajudou o ouro a recuperar terreno. Ainda assim, o ambiente de juros mais elevados explica por que investidores reduziram posições no metal mesmo com seu papel tradicional de proteção contra risco e inflação.
No curto prazo, o panorama segue condicionado a dois vetores: discurso e decisões do Fed, que moldam as expectativas para as taxas, e a evolução do risco geopolítico que afeta o petróleo. Para gestores e investidores, a combinação de juros reais mais altos e choques de oferta em energia torna necessário recalibrar posições em ativos reais e monitorar a correlação entre rendimentos, moedas emergentes e commodities.