O ouro fechou em alta nesta quinta-feira, retomando o patamar de cerca de US$ 4.500 por onça-troy, em sessão marcada por forte volatilidade. Na Comex, o contrato de agosto subiu 1,14% e terminou em US$ 4.532,4; a prata para julho avançou 1,4%, a US$ 75,912 por onça-troy. Os mercados chegaram a registrar perdas significativas nas primeiras horas, em meio a novos ataques e à reação defensiva dos Estados Unidos, que elevaram o preço do petróleo, o dólar e os rendimentos dos Treasuries, pressionando os ativos de refúgio.
A reversão começou após relatos — citando autoridades americanas — de um acordo preliminar entre EUA e Irã com duração prevista de cerca de 60 dias, que incluiria extensão do cessar‑fogo e medidas para normalizar o tráfego no Estreito de Ormuz. Para analistas do Capital Economics, a restauração do fluxo na rota é um passo necessário à normalização do setor energético; a perspectiva de menor risco geopolítico aliviou a pressão sobre metais preciosos no curto prazo.
Ao mesmo tempo, leituras econômicas dos Estados Unidos ajudaram a modular o movimento: o índice de preços PCE avançou menos que o esperado, aliviando temores inflacionários e dando ao Federal Reserve mais tempo para avaliar os efeitos da alta nos preços de energia, segundo o TD Securities. Porém, a segunda leitura do PIB veio abaixo do previsto, apontando que o quadro macro segue complexo e sujeito a revisões — fator que mantém os mercados sensíveis a dados e notícias.
A combinação de geopolítica e macroeconomia dita o ritmo dos ativos: se o acordo preliminar reduzir o risco em energia, pode diminuir parte da demanda por ouro como proteção; por outro lado, qualquer revés nas negociações ou surpresa inflacionária reavivará a busca por segurança. Em suma, o avanço de hoje reflete um alívio temporário, mas a confirmação do acordo e novos indicadores econômicos serão decisivos para a sustentabilidade do movimento.