O ouro encerrou a sessão desta terça-feira em alta de 0,77%, cotado a US$ 4.568,50 por onça-troy na Comex, enquanto a prata subiu 0,1%, a US$ 73,581 para o contrato de julho. O movimento ocorre em um cenário geopolítico tenso: o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã segue sem uma perspectiva clara de acordo e com episódios de atrito que mantêm o apetite por ativos de proteção.

Autoridades americanas, incluindo o presidente Donald Trump, tentaram minimizar o avanço das tensões, mas vozes iranianas — como o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf — acusaram os EUA de violarem o cessar-fogo, reforçando a incerteza. Para parte do mercado, a alta recente reflete compra em momentos de queda (MUFG) e a característica de resiliência dos metais preciosos (TD Securities).

Há, porém, fatores que limitam o ímpeto: a alta contínua no mercado de energia tem elevado pressões inflacionárias e sustentado juros e um dólar forte, elevação que, segundo o Commerzbank, aumenta o custo de oportunidade de manter ouro. Casas como Forex.com apontam cenário curto‑prazo mais desfavorável, enquanto a Swissquote destaca suporte dos bancos centrais, que seguem acumulando metal.

O quadro atual revela um mercado dividido entre demanda por proteção e forças macroeconômicas que podem segurar novos ganhos. Para investidores e formuladores de política, o preço do ouro funciona como retrato da aversão ao risco e da tensão entre fatores geopolíticos e monetários — um sinal que merece acompanhamento, sem, porém, configurar previsão definitiva.