O ouro para dezembro subiu 0,36% e fechou a US$4.697,80 por onça-troy na Comex, atingindo o maior patamar desde maio. A valorização repete o movimento da última semana, quando o metal avançou mais de 5% após um plano de recompra do Tesouro dos EUA empurrar o dólar para mínimas de meses e reaquecer a busca por ativos de proteção.
O movimento vem acompanhado do desconforto com a posição fiscal da maior economia do planeta e da expectativa pelo índice de preços de gastos com consumo (PCE), o indicador preferido do Federal Reserve, cuja divulgação estava prevista para quarta-feira (26). Investidores também monitoram a estreia de Kevin Warsh no simpósio de Jackson Hole, evento que tende a condicionar apostas sobre juros.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que as operações de recompra devem recomeçar em setembro, e há relatos de que o Tesouro poderá usar sua Conta Geral — próxima de US$1 trilhão — para financiar maior compra de títulos. A intervenção aumentou a tensão entre investidores de títulos e instituições e reduziu a atratividade do dólar como porto seguro, favorecendo o ouro.
Para mercados emergentes, incluindo o Brasil, a valorização do ouro sinaliza maior aversão ao risco global e pressão sobre ativos em moeda local. No curto prazo, a alta reflete incerteza sobre inflação e política monetária nos EUA; no médio prazo, reitera que choques geopolíticos e sinais fiscais podem elevar custos de financiamento e complicar cenários para investidores e formuladores de política.