O conjunto de medidas anunciado pelo governo em ano eleitoral reacendeu o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas e, segundo economistas, transfere parte do custo para 2027. A IFI estimou impacto imediato de R$ 298,4 bilhões neste ano; outras iniciativas aprovadas ou enviadas ao Congresso têm efeitos que se estendem além de 2026.
Entre as ações recentes estão a PEC que reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas, aprovada no Senado por 75 votos a 1; o aumento do teto de faturamento do MEI para R$ 140 mil a partir de 2028; e o PLP que prevê perdão de dívidas de MEIs, cuja renúncia foi estimada em cerca de R$ 3,04 bilhões no período 2027–2029. Levantamento da Warren Rena aponta impacto de R$ 43,6 bilhões só em 2027 e até R$ 195,6 bilhões entre 2027 e 2030.
Para economistas ouvidos, o efeito conjunto tende a reduzir arrecadação e a demandar recursos para subvenções ou perdões, fenômeno descrito por especialistas como um empobrecimento do quadro fiscal no primeiro ano do próximo mandato. A consequência prática já apareceu no mercado: períodos recentes registraram correção em bolsa, alta do câmbio e elevação das taxas de juros futuros.
A disputa política piora a tarefa técnica: por um lado o governo promete responsabilidade fiscal em eventual quarto mandato; por outro, as medidas aprovadas e anunciadas obrigam sucessores a conviver com compromissos que aumentam a pressão sobre receita e gasto. A leitura corrente entre analistas é clara: trata‑se de custo político com reflexo econômico — um sinal de alerta que complica a narrativa oficial e impõe dilemas para 2027.