Cerca de 60 países, entre eles o Brasil, se reúnem nesta semana em Santa Marta, Colômbia, para a primeira cúpula dedicada a discutir a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Ao contrário das negociações tradicionais da ONU, o encontro tem ênfase prática: quais instrumentos financeiros, incentivos regulatórios e medidas de planejamento são necessários para retirar gradualmente o petróleo e o gás das economias.
A guerra no Irã e a escalada de preços de petróleo e gás tornaram a pauta ainda mais sensível. Autoridades que apoiam a iniciativa defendem que reduzir a dependência dos combustíveis fósseis melhora não só a resposta climática, mas também a segurança econômica e energética — uma argumentação que ganha tração quando choques de oferta elevam custos e pressionam inflação e contas públicas.
Mas o formato da coalizão expõe limites claros. Os dois maiores emissores — China e Estados Unidos — não participam, e grandes produtores do Oriente Médio também estão ausentes. Essa composição fragiliza a capacidade do grupo de traduzir compromissos em mudança global e sublinha a dificuldade política de avançar sem o engajamento dos principais produtores e consumidores de energia.
Na prática, a agenda toca pontos centrais para economias em transição: criar condições de investimento para que a indústria troque gás por eletricidade, reformar subsídios que distorcem preços e desenhar mecanismos financeiros que compartilhem riscos. A iniciativa pode acender alerta para governos que ainda não alinharam política industrial e fiscal com a transição, mas seu impacto dependerá da capacidade de articular incentivos reais e de ampliar a base de apoio internacional.