Pilhas de roupas procedentes dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e outros destinos chegam a Panipat em caminhões, e se acumulam em armazéns onde máquinas trituram, branqueiam e retecidem tecidos. A cidade, conhecida como polo têxtil, recebe mais de um milhão de toneladas de resíduos por ano — um fluxo que, em vez de resolver o problema do desperdício, concentra o custo ambiental local.
Dentro das unidades, trabalhadores alimentam maquinário empoeirado e manipulam substâncias químicas sem equipamentos de proteção. Poeira de fibras e vapores de tinturas são rotina. Há relatos constantes de tosse, falta de ar e lesões de pele entre quem manipula esses materiais, evidenciando risco à saúde ocupacional que reverbera para além do local de trabalho.
A atividade sustenta centenas de milhares de famílias, mas se apoia em relações informais: contratos precários, ausência de seguro saúde e responsabilidade limitada dos empregadores. Casos de acidentes e doenças obrigam trabalhadores a arcarem com despesas médicas, enquanto a economia local absorve apenas parte dos benefícios e quase nenhum custo da poluição e da degradação ambiental.
O quadro de Panipat expõe uma contradição da chamada economia circular quando meios e fins não se alinham: reaproveitar roupas significa transferir impactos. Para além da urgência humanitária, o episódio põe em xeque respostas regulatórias e a responsabilidade das marcas exportadoras. Sem fiscalização, políticas de comércio mais rígidas e custos internalizados pelas cadeias produtivas, o preço da moda continuará sendo pago por trabalhadores e pelo ambiente local.