O Grupo Panvel divulgou lucro líquido ajustado de R$ 38,9 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 39,1% na comparação anual. A receita bruta do varejo somou R$ 1,63 bilhão e o Ebitda ajustado ficou em R$ 88,5 milhões, avanço de 26,4%, segundo o balanço publicado e a entrevista do CEO Antônio Napp ao CNN Money.

A empresa atribui o desempenho à evolução de lojas maduras, aumento de produtividade e à demanda por medicamentos GLP‑1 — as chamadas canetas emagrecedoras — além do crescimento de higiene, beleza e das marcas próprias, que já respondem por parcela relevante das vendas. Quase 34% das vendas ocorreram apenas por canais digitais, indicador que a Panvel destaca como diferencial competitivo.

O resultado, porém, aponta também fontes de vulnerabilidade. A dependência crescente de GLP‑1 expõe a companhia a riscos regulatórios, variação de oferta e à concorrência informal que o próprio CEO mencionou, com parte do mercado migrando para produtos de origem duvidosa. A concentração geográfica no Sul e Sudeste limita a diversificação do faturamento e pode complicar a execução do ambicioso guidance de dobrar a companhia até 2030.

No mercado, as ações recuaram modestamente no dia da divulgação, reflexo da sensibilidade a fluxo de recursos na bolsa, na avaliação da própria direção. Para avançar sem perder fôlego, a Panvel terá de equilibrar expansão física e digital, gerir exposição a categorias sensíveis e mostrar que o crescimento impulsionado por tendências farmacêuticas é sustentável diante de possível ajuste regulatório.