As ações da Paramount recuaram na última quinta-feira, com queda de 4% no fechamento e mínimas de até 9% ao longo do pregão, enquanto investidores aumentam a pressão por clareza sobre a viabilidade da operação com a Warner Bros. Discovery. O movimento reflete apreensão com o tamanho do endividamento e com a capacidade da gestão proposta para tocar a integração.

Relatórios de mercado citam análise da Arete Research, publicada pela Bloomberg, que questiona se a administração da Paramount Skydance tem experiência para gerir o elevado nível de alavancagem criado pela transação. Segundo a consultoria, a empresa combinada deverá carregar cerca de US$86 bilhões em dívida bruta, um patamar que eleva riscos operacionais e financeiros no curto e médio prazo.

Além do desafio financeiro, o acordo enfrenta múltiplas revisões regulatórias e potenciais ações judiciais nos Estados Unidos, segundo o Wall Street Journal. A Reuters informou que o procurador-geral do Oregon foi comunicado de que a Paramount não pretende concluir o acordo de US$81 bilhões antes de 22 de julho. Há também escrutínio no Reino Unido, o que amplia o custo e a incerteza do fechamento.

No Brasil, a SG do Cade aprovou sem restrições a aquisição da totalidade das ações em circulação da Warner, mas a decisão ainda pode subir ao tribunal administrativo e ser revista. O quadro global — dívida elevada, revisões antitruste e risco de litígios estaduais — pressiona investidores e credores e complica a narrativa de criação de sinergias: se a empresa não apresentar um plano claro de desalavancagem, o custo político e econômico da operação tende a subir.