O índice de preços ao consumidor medido pelo PCE mostrou desaceleração em junho: alta de 3,7% em 12 meses, ante 4,1% em maio (não revisado). O recuo anual acompanha a expectativa de analistas, mas não elimina riscos externos que podem inverter o movimento. O dado foi divulgado pelo Bureau de Análise Econômica e entrou na estimativa oficial do PIB do segundo trimestre.
Na leitura mensal, o PCE caiu 0,1% em relação a maio — o pior desempenho desde abril de 2020, depois do salto de 0,5% em maio. Excluindo alimentos e energia, o núcleo avançou 3,3% em 12 meses, ante 3,4% em maio, e registrou ganho mensal de 0,1% (0,3% em maio). Os números indicam desaceleração, porém ainda distante da meta inflacionária de 2% acompanhada pelo Federal Reserve.
O Fed manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% na quarta-feira, e a mensagem da autoridade monetária seguiu firme: o banco central não pretende vacilar no compromisso de devolver a inflação à meta. A leitura mais suave do PCE dá algum espaço político aos membros do Comitê, mas é frágil e sensível a choques de oferta.
O principal risco identificado é a volta de hostilidades no Oriente Médio, que já pressionou os preços do petróleo — o Brent opera pouco acima de US$90 por barril — e fez a média do preço da gasolina nos EUA superar novamente US$4 por galão. Para além do impacto direto no bolso do consumidor, choques no mercado de energia complicam a trajetória de desinflação, aumentam a incerteza para a política monetária e têm potencial de contaminar preços globais, com efeitos secundários sobre a inflação e produção em países emergentes.