O indicador preferido pelo Federal Reserve para medir a inflação, o índice de preços PCE, avançou 3,8% nos 12 meses até abril, segundo o Escritório de Análises Econômicas (BEA). Foi a maior alta desde maio de 2023. Na comparação mensal, o PCE subiu 0,4% em abril, depois do salto de 0,7% em março; economistas consultados esperavam exatamente 3,8% no ano.

O movimento foi impulsionado pela escalada nos preços de energia após o conflito no Oriente Médio, que interrompeu o tráfego no Estreito de Ormuz e tensionou cadeias globais de oferta. O preço médio da gasolina nos EUA subiu 12,3% em abril — e acumula alta de mais de 50% desde o início da guerra, no fim de fevereiro —, enquanto faltas e pressão de custos atingem fertilizantes, alumínio e bens de consumo.

Sem os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo do PCE ficou em alta de 3,3% na comparação anual e 0,2% no mês, reforçando que a inflação subjacente segue acima do objetivo de 2% do banco central. O dado consolida a visão de que o Fed pode manter a taxa de juros em níveis elevados por mais tempo; os mercados já descontam manutenção da taxa de referência na faixa de 3,50%–3,75% até 2027.

Além dos efeitos econômicos, a leitura traz implicações políticas imediatas. Consumidores mostram-se mais insatisfeitos com a gestão da economia, e pesquisas apontam queda na aprovação do presidente — um problema para quem venceu a eleição prometendo reduzir a inflação. Números de preços mais altos acendem alerta para aliados e podem complicar o quadro eleitoral e legislativo dos republicanos nos próximos meses.