O índice de preços PCE acelerou em março, registrando alta de 0,7% no mês — o maior avanço desde junho de 2022 — e elevando a leitura anual para 3,5%, a maior desde maio de 2023. Os números, divulgados pelo Departamento de Comércio e incorporados ao relatório do PIB do primeiro trimestre, vieram em linha com a expectativa dos economistas, mas com sinais de risco para a trajetória de desinflação.

A principal pressão veio dos combustíveis: o preço médio nacional da gasolina no varejo subiu 24,1% em março, apontam dados da Administração de Informações sobre Energia dos EUA. A escalada nos preços está associada ao impacto do conflito no Oriente Médio sobre oferta e risco geopolítico, que reverbera imediatamente no custo de vida dos consumidores.

Excluídos alimentos e energia, o núcleo do PCE avançou 0,3% em março e mantém a alta anual em 3,2%, sinalizando que, apesar da volatilidade dos combustíveis, a inflação subjacente ainda não convergiu para os 2% almejados pelo Federal Reserve. O próprio banco central manteve a taxa de referência em 3,50%–3,75% na semana passada, citando preocupação com a inflação ligada ao conflito.

Para o mercado financeiro, os dados reforçam a expectativa de que o Fed deve manter os juros elevados por mais tempo — possivelmente sem novos cortes até o próximo ano — o que complica a agenda de recuperação real do poder de compra. Além do efeito imediato sobre os bolsos, o resultado expõe fragilidades na trajetória de preços que já vinham sendo alimentadas por fatores anteriores, como tarifas de importação adotadas durante a gestão anterior.