A PEC que prevê o fim da escala 6x1 e a redução gradual da jornada de 44 para 40 horas completa um mês parada no Senado, desde o despacho aguardado do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. A proposta, tratada como prioridade pelo governo, terá sua primeira movimentação formal em sessão temática marcada para debater impactos econômicos, e prevê também reunião entre Alcolumbre, parlamentares favoráveis e representantes sindicais.

A tramitação travada expõe um dilema político para o Planalto: acelerar a aprovação preservando promessas de campanha ou aceitar alterações sugeridas pelo Senado para reduzir riscos econômicos. Alcolumbre já sinalizou que a Casa não pretende apenas ratificar o texto da Câmara, o que amplia a necessidade de negociação e coloca a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão, diante de uma missão complexa de articulação.

Economistas e setores produtivos enfatizam custos concretos. Juliana Inhasz (Insper) lembra que reduções de jornada costumam ocorrer após ganhos de produtividade — não o inverso — e alerta para risco de aumento de custos e pressão inflacionária caso eficiência não acompanhe a medida. O setor de shopping centers, pela Abrasce, projeta queda superior a 12% em vendas e emprego, estimando perda de cerca de R$ 14 bilhões sobre R$ 200 bilhões de faturamento de 2025 e elevação de custos trabalhistas em até 25% para empresas com equipes enxutas.

No plano da competitividade, o país já registra sinais de fragilidade — o Brasil caiu para a 65ª posição no Ranking Mundial de Competitividade do IMD — o que torna a avaliação técnica da PEC ainda mais relevante. O impasse no Senado, portanto, funciona como freio e oportunidade: pode adiar uma mudança com custo econômico elevado, mas também obliga o governo a ajustar a proposta diante de evidências e pressões setoriais.