A Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) classificou como excessivamente curto o período de transição previsto na PEC que extingue a escala 6x1 e restringe formatos de jornada. Em entrevista à CNN, a gerente trabalhista Fernanda Ribas afirmou que dois meses não são suficientes para que empresas e setores adaptem rotinas, contratos e operações a regras que favorecem apenas o modelo 5x2.

A entidade aponta que a proposta não se limita ao fim do 6x1: trata-se, nas palavras de especialistas do setor produtivo, de um engessamento das escalas. Alterações que mexem com organização do trabalho têm efeitos práticos sobre custo da mão de obra — e Ribas chama atenção para o encarecimento da hora trabalhada caso haja redução da jornada sem ajuste proporcional dos salários.

O efeito imediato, segundo a FIEMG, tende a ser repassado aos preços. O aumento do custo por hora trabalhada pressionaria a inflação e corroeria o poder de compra real dos trabalhadores, mesmo que os salários nominais se mantenham. Para empresas com margens apertadas, o resultado pode ser demissões formais e migração de postos para a informalidade, diz a entidade.

Ribas também destacou distorções setoriais: a escala 12x36, amplamente usada no setor de saúde e aceita por empregados, tem média semanal de 42 horas e, na visão da FIEMG, ficaria inviabilizada pelas novas regras. A federação lembra ainda que 80% dos instrumentos de negociação coletiva já tratam de jornada, argumento usado para defender que mudanças sejam fruto de acordo setorial e não de imposição uniforme.

Como alternativa, foi citada proposta articulada por Rogério Marinho (PL) que permite contratação por hora e preserva o limite de 44 horas semanais — caminho, segundo a fonte, mais compatível com diversidade produtiva. A FIEMG espera que o Senado revise o texto e defende adiar discussões técnicas sensíveis para depois do período eleitoral, a fim de evitar decisões apressadas com impacto econômico relevante.