O anúncio do presidente dos Estados Unidos sobre a cobrança de um pedágio de 20% para navios que trafeguem pelo Estreito de Ormuz provocou reação imediata nos mercados. O Brent chegou a subir mais de 9% no dia do anúncio e, em pregão seguinte, avançava cerca de 4,57%, cotado a US$ 87,10; o WTI registrou alta de 3,51%, a US$ 80,85. As cotações já se distanciaram do nível inferior a US$ 70 verificado antes da deterioração do cenário no Oriente Médio.

Analistas e representantes do setor consultados por entidades como o CBIE avaliam que a proposta enfrenta obstáculos práticos e políticos. A capacidade de controle do estreito é limitada por atores regionais — em especial o Irã — e há meios de interrupção do tráfego, como ataques com drones, que não dependem da presença militar americana. Para especialistas, o anúncio tem forte componente narrativo e enfrenta dúvidas sobre sua implementação efetiva.

Além do choque direto sobre preços, há efeitos indiretos que podem tornar a alta mais persistente: redução da produção em países vizinhos, aumento dos prêmios de seguro marítimo, menor disponibilidade de embarcações e disrupção logística. Essas distorções encarecem a oferta e podem transformar um choque temporário em pressão estrutural sobre a commodity, com efeitos em toda a cadeia energética.

Para o Brasil, a elevação sustentada do petróleo testa a política de preços da Petrobras e amplia o risco de pressões políticas por subsídios ou intervenções, principalmente em ano eleitoral. Preços maiores de combustíveis pressionam a inflação e complicam a trajetória fiscal, forçando o governo a calibrar respostas entre custo político e disciplina econômica. Ainda assim, especialistas lembram que a volatilidade permanece alta e é cedo para projeções definitivas.