Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) aponta que 69% dos entrevistados consideram ter perdido poder de compra em relação ao ano passado. Ao mesmo tempo, sete em cada dez brasileiros afirmam que os preços dos alimentos subiram no último mês — percepção que acompanha a inflação de abril, que ficou em 0,67%, com alimentos entre os principais vetores.

O resultado é estável em relação à última rodada da Quaest — em abril 72% diziam ter percebido alta nos preços dos alimentos —, diferença que cabe dentro da margem de erro de duas pontos percentuais. A manutenção da sensação generalizada de aperto aponta para um problema de confiança do consumidor, mesmo quando variações mensais da inflação não sejam drásticas.

Do ponto de vista político e econômico, os números acendem um sinal de alerta: a combinação de inflação sentida nos alimentos e perda de poder aquisitivo pressiona o consumo das famílias, freia recuperação de setores sensíveis à renda e amplia o debate sobre a eficácia das políticas de controle de preços e apoio social. Em ano pré-eleitoral, essa percepção tende a ter repercussão nas agendas públicas e na narrativa dos partidos.

O levantamento foi realizado entre 8 e 11 de maio com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais; está registrado no TSE sob o número BR-03598/2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o intervalo de confiança é de 95%. Os dados retratam o sentimento do momento e não configuram previsão, mas servem como termômetro das pressões sobre renda e política econômica.